Por Jessica Corraini Elmauer | Fisioterapeuta Especializada em Neurologia | Revive Neuro
Se você cuida de um familiar idoso com AVC, Parkinson, Alzheimer ou outra condição neurológica, o medo de queda provavelmente faz parte do seu dia a dia. E não é um medo exagerado.
A queda é uma das principais causas de hospitalização, perda de autonomia e morte em idosos. Quando existe uma condição neurológica associada, esse risco aumenta muito. E o que muitas famílias não sabem é que boa parte das quedas é evitável.
Por que condições neurológicas aumentam tanto o risco de queda
Para entender o risco, é importante entender o que cada condição faz com o corpo do idoso.
AVC O AVC, Acidente Vascular Cerebral, acontece quando o fluxo de sangue para uma área do cérebro é interrompido. Dependendo da área afetada, pode causar fraqueza ou paralisia em um lado do corpo, alteração de equilíbrio, dificuldade de coordenação e lentidão de reação. Tudo isso aumenta diretamente o risco de queda, especialmente nas primeiras semanas após o evento.
Parkinson A doença de Parkinson pode comprometer o controle dos movimentos. O que pode resultar em rigidez muscular, lentidão, instabilidade postural e o fenômeno chamado congelamento de marcha, quando os pés parecem colar no chão no meio de uma caminhada. E isto é um fator importante de quedas nessa população.
Alzheimer e outras demências O Alzheimer afeta progressivamente a memória, o julgamento e a capacidade de planejar ações simples. O idoso com demência pode não perceber que o ambiente é perigoso, não conseguir ajustar o passo diante de um obstáculo ou não chamar ajuda quando precisa. A desorientação espacial também contribui para quedas, especialmente à noite.
Esclerose múltipla e outras condições A fraqueza muscular, a espasticidade, o desequilíbrio e a fadiga presentes em diversas condições neurológicas criam um cenário de risco constante, independente da condição específica.
O que a fisioterapia neurológica faz para prevenir quedas
A prevenção de queda não é um exercício isolado. É um protocolo completo que avalia e trabalha todos os fatores que contribuem para o risco.
Força muscular Membros inferiores e tronco fortes são a base para um apoio seguro. A fisioterapia trabalha a força desses grupos musculares que mais influenciam a estabilidade durante a marcha.
Equilíbrio estático e dinâmico A capacidade de se manter estável parado é diferente da capacidade de se equilibrar enquanto caminha ou muda de direção. Os dois precisam ser trabalhados de forma específica.
Reação a desequilíbrios Muitas quedas acontecem porque o idoso não consegue reagir rápido o suficiente quando tropeça ou perde o equilíbrio. A fisioterapia treina especificamente essa reação, ensinando o sistema nervoso a responder mais rápido a situações inesperadas.
Marcha segura em diferentes situações Caminhar em linha reta em casa é diferente de caminhar em calçada irregular, desviar de obstáculos ou subir um degrau. O treino precisa incluir essas variações para que os ganhos se traduzam no dia a dia real.
Orientação sobre dispositivos de auxílio Bengala, andador ou outros dispositivos podem ser necessários dependendo do caso. A fisioterapia define qual é o mais adequado e ensina a usar corretamente, o que faz toda a diferença na segurança.
Seu familiar idoso tem uma condição neurológica e você está preocupado com o risco de queda? Na Revive Neuro avaliamos o risco individualmente e montamos um protocolo de prevenção adequado para aquela condição específica. 👉 [Agendar avaliação]
O que a família pode fazer em casa
A fisioterapia trabalha o corpo do paciente. A família trabalha o ambiente. As duas frentes juntas reduzem muito o risco.
Adaptações do ambiente
- Retirar tapetes soltos, especialmente no banheiro e no corredor
- Instalar barras de apoio no banheiro, ao lado do vaso sanitário e dentro do box
- Garantir boa iluminação em todos os cômodos, especialmente no caminho até o banheiro à noite
- Usar luminárias de presença para evitar que o idoso caminhe no escuro
- Organizar os móveis para criar caminhos amplos e livres de obstáculos
- Verificar que a cama está na altura adequada para que o idoso consiga sentar e levantar com segurança
- Trocar calçados soltos ou meias escorregadias por calçados fechados com sola antiderrapante
Comportamentos que ajudam
- Não apressar o idoso durante a marcha ou nas transferências (levantar da cadeira, entrar no carro)
- Não deixar o idoso caminhar sozinho em ambientes novos ou com piso molhado
- Observar sinais de tontura, especialmente após levantar da cama ou da cadeira, o que pode indicar hipotensão postural
- Comunicar ao fisioterapeuta qualquer episódio de queda ou quase-queda, mesmo os que pareçam sem importância
No caso de Alzheimer
- Trancar ou sinalizar portas que levam a escadas ou ambientes perigosos
- Manter rotina previsível para reduzir a desorientação
- Considerar cercas de proteção na cama para episódios noturnos de desorientação
Quando uma queda acontece mesmo assim
Se o familiar cair, mantenha a calma. Não tente levantá-lo imediatamente. Avalie se há dor intensa, deformidade ou impossibilidade de mover algum membro. Se houver suspeita de fratura, chame o SAMU. Se a queda não foi grave, ainda assim é importante procurar um médico ou fisioterapeuta para avaliação física desse idoso.
Toda queda, mesmo sem lesão aparente, deve ser comunicada à equipe de saúde. Ela pode revelar uma mudança no quadro clínico que precisa de atenção.
Tem dúvidas sobre como adaptar o ambiente ou reduzir o risco de queda do seu familiar? Fale com nossa equipe. 👉 [Falar no WhatsApp]
Revive Neuro | Reabilitação Neurológica e Neuromodulação | Itacorubi, Florianópolis, SC






